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O desfile neocomunista foi pior do que você imagina

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19.02.2026

Como relíquia cultural de manifestação do neocomunismo, o desfile da Acadêmicos de Niterói foi excepcional. Trata-se de um desses documentos de valor incomum, que logram materializar a autopercepção e as intenções de um regime em sua época. Não me espantaria se, no futuro, esse desfile venha a ser objeto de livros e teses buscando explicar como o Brasil se destruiu pela (ou se salvou a despeito da) ameaça neocomunista.

Essa é a vantagem que, de vez em quando, a direita recebe de presente da esquerda: os comunistas são tão orgulhosos e satisfeitos consigo mesmos que, autoconfiantes, acabam abrindo inadvertidamente as suas intenções. Eles esquecem-se de que a esquerda é uma farsa que produz apenas miséria, ressentimento e tirania, e que só se sustenta por causa da capitalização do ressentimento, dos sonhos da utopia e das fantasias do marketing eleitoral.

Ou seja, eles acabam acreditando nos disfarces que eles mesmos inventam (todos seremos iguais; picanha para todos!), e resolvem abrir o jogo: é tudo utopia, luta de classes e destruição moral mesmo.

Respire fundo, pois tudo é política

Além de assistir ao desfile, eu lio Livro Abre-Alas (publicado pela LIESA, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), que apresenta explicações detalhadas sobre o enredo das escolas de samba.

Segundo a doutrina progressista, nada pode existir simplesmente para as suas funções apropriadas. Por exemplo, a música não pode servir apenas ao prazer auditivo, nem a comida ao paladar, nem a medicina à saúde, ou a educação ao saber; tudo deve servir à política. É por isso que adoram dizer que “tudo é política”: porque se tudo tem um componente político, o esquerdista sente-se autorizado a distorcer qualquer coisa na direção de suas preferências políticas. Já havia política mesmo, não fui eu que comecei! E é assim que o esquerdismo destrói praticamente todas as instituições em que sua hegemonia se estabelece.

No Livro Abre-Alas, a Acadêmicos afirma que “defender um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no carnaval é, antes de tudo, defender a própria essência do samba enquanto expressão cultural, política e popular do Brasil (...) Por fim, essa homenagem a Lula também reafirma o carnaval como patrimônio vivo em defesa da democracia brasileira” (p. 9).

Veja-se que o enredo de carnaval não pode ser apenas uma obra de arte, apenas uma manifestação estética que tem como objetivo trazer prazer aos sentidos. O samba precisa ser mais do que isso, pois ele tem uma “expressão” que também é “política”. O carnaval precisa ter um objetivo maior, mais amplo, totalizante; ele precisa ser um patrimônio “em defesa da democracia brasileira”.

De início, o enredo da Acadêmicos de Niterói........

© Gazeta do Povo