Revanche não dá futuro: a armadilha da política brasileira
Uma das melhores sínteses dos movimentos erráticos da história veio da poesia. “Eu não quero mais nenhuma chance. Eu não quero mais revanche”, escreveu o compositor Bernardo Vilhena em 1986. O Brasil mergulhava na frustração da Nova República, que já nasceu velha. Na voz de Lobão, os versos de Vilhena descreviam um sentimento que, 40 anos depois, está mais atual do que nunca.
O movimento gigantesco das Diretas Já — uma das maiores demonstrações de rua da história do país — tinha terminado sem eleições diretas para presidente. Mas tinha nascido o acordo em torno de Tancredo Neves — que desaguaria em mais uma ressaca cívica com a morte antes da posse. De repente, o Brasil se olhava no........
