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O Purim, o Irã e a crise moral do Ocidente

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05.03.2026

Vivemos dias de enorme tensão no cenário internacional. A morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi confirmada após intensos ataques israelenses a estruturas do regime em Teerã. Declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmam que o plano estratégico iraniano para destruir Israel foi neutralizado e que milhares de alvos militares ligados ao regime serão atacados nos próximos dias.

Ao mesmo tempo, Netanyahu e Donald Trump conclamaram o povo iraniano a aproveitar a oportunidade histórica para se levantar contra um sistema político tirano que, por décadas, governou o Irã com repressão interna, censura religiosa e exportação sistemática de violência religiosa para além de suas fronteiras.

Estamos diante de um daqueles momentos em que a história muda rapidamente. Seja qual for o desfecho político imediato, milhões de civis estão no meio dessa tensão. Homens, mulheres e crianças carregam o peso real das decisões tomadas por governantes e militares.

Purim, Amaleque e a memória do mal

Há um elemento profundamente simbólico nos acontecimentos atuais. No mesmo período em que esses eventos ocorrem, o mundo judaico celebrou o Purim. A importância dessa festa reside na celebração da providência divina. A festa recorda a salvação do povo judeu de um genocídio planejado por Hamã na antiga Pérsia, conforme narrado no Livro de Ester. Trata-se de uma celebração de origem rabínica que enfatiza temas como a coragem, exemplificada por Ester e Mordecai; a preservação da nação judaica; e a alegria comunitária expressa em refeições festivas, doações aos pobres e na leitura pública do Livro de Ester. Purim é um memorial permanente de que Deus intervém na história para preservar seu povo eleito diante do ódio irracional e das ameaças de extermínio.

A conexão aparece na leitura da Torá, realizada nas sinagogas em 27 de fevereiro, no Livro do Deuteronômio: “Lembrem-se do que os amalequitas fizeram no caminho, quando vocês estavam saindo do Egito. Eles saíram ao encontro de vocês no caminho e, quando vocês estavam abatidos e cansados, atacaram na retaguarda todos os desfalecidos que vinham atrás; e não temeram a Deus. Portanto, quando o Senhor, seu Deus, lhes houver dado sossego de todos os seus inimigos ao redor, na terra que o Senhor, seu Deus, lhes dá por herança, para que dela tomem posse, apaguem a memória dos amalequitas da face da terra; não se esqueçam disto.” (25,17-19) Amaleque tornou-se, ao longo da tradição bíblica, o símbolo de forças que procuram destruir Israel atacando os fracos e vulneráveis.

Purim é um memorial permanente de que Deus intervém na história para preservar seu povo eleito diante do ódio irracional e das ameaças de extermínio

Purim é um memorial permanente de que Deus intervém na história para preservar seu povo eleito diante do ódio irracional e das ameaças de extermínio

Em 2 de março o Livro de Ester foi lido na celebração de Purim. E nessa pequena obra encontramos um trecho impressionante: “No dia em que os inimigos dos judeus esperavam apoderar-se deles, aconteceu o contrário, pois os judeus é que se apoderaram dos que os odiavam. [...] Os judeus se reuniram para atacar aqueles que queriam destruí-los. E ninguém podia resistir-lhes, porque o terror que inspiravam caiu sobre todos aqueles povos” (Ester 9,1-2). O antagonista central dessa narrativa é Hamã, descrito como agagita. Essa designação é........

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