Como os políticos ideológicos podem vencer os fisiológicos
Uma distinção quase tão importante quanto direita e esquerda na política é entre os ideológicos e os fisiológicos. Políticos ideológicos estão na briga por uma ideia, uma causa, um movimento — seja bom ou ruim. Praticamente o país inteiro sabe mais ou menos qual é a ideologia do PT ou do Psol, os dois partidos mais claramente ideológicos do país.
Já políticos fisiológicos são as velhas raposas da política. Nomes conhecidos não pelo que pensam ou pelo seu alinhamento nas discussões cerebrais do momento, mas sim por terem controle sobre a máquina. Estão no poder, não importando quem vença eleições. Dominam quase a metade das indicações aos ministérios, ora em um governo de esquerda, ora de direita, ora de centro. Com exceção do PT e satélites, eram praticamente toda a política brasileira. Os donos dos partidos parecem passar tanto pelos processos constitucionais que são mais amigos dos juízes constitucionais do que outros juristas.
A ironia é que o PT fez sua carreira criticando os “donos do poder”, segundo expressão de Raymundo Faoro, um dos fundadores do partido. Nomes como José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros, Antônio Carlos Magalhães, Jader Barbalho, Paulo Maluf, Romero Jucá, Michel Temer, Paes de Andrade, Orestes Quércia, Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson foram chamados de “direita” pela esquerda, mesmo sem uma única pauta direitista: eram apenas inimigos enquanto o PT não estava no poder, e todos foram para o bolso petista quando Lula subiu a rampa pela primeira vez. Hoje, dos sobreviventes, apenas duas exceções estão mais do lado de Bolsonaro do que do STF (quem realmente manda no país).
Uma das grandes dificuldades burocráticas da direita, que afeta demais seus meios de ação, é não ter conseguido transformar sua ainda imprecisa ideologia em um partido
Uma das grandes dificuldades burocráticas da direita, que afeta demais seus meios de ação, é não ter conseguido transformar sua ainda imprecisa ideologia em um partido
Como resultado, apesar de fazer governos que a velha mídia insiste em chamar de nomes histéricos como “extrema direita” (que deve ser sempre pronunciada com um bocejo e a boca aberta), na prática, quem governa costuma ser o centrão. Mesmo com a mídia chamando o governo Bolsonaro de “extremista de direita”, seu governo teve pouco de conservadorismo e, contra a vontade do próprio Bolsonaro, muito de fisiologia.
Foi para lidar com a fisiologia que José Dirceu criou o mensalão. Se o Congresso era “uma........
