menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A fracassada tentativa de “maurocidizar” Karina Gama

16 0
12.09.2026

Convencionou-se descrever o que aconteceu esta semana no Supremo Tribunal Federal como uma crise institucional, como se o afastamento de Andrei Rodrigues por André Mendonça e sua imediata reintegração por Flávio Dino representassem uma queda de braço entre colegas de toga por espaços de poder; ou, pior ainda, como se se tratasse de uma divergência jurídica entre dois magistrados simetricamente opostos. Além de covarde, essa leitura é falsa.

O que se assistiu na terça e na quarta-feira desta semana não teve nada a ver com uma disputa de poder entre pares. Porque Mendonça e Dino não são pares. Porque Mendonça e Alexandre de Moraes não são pares. Enquanto o primeiro é um juiz de verdade, os outros dois são agentes políticos fantasiados de juízes. O que se passou nessa semana, portanto, não foi uma “crise no STF” – tal como, genericamente, a imprensa tem descrito o fenômeno –, mas o confronto, dentro da própria corte, entre a lei e o crime: a primeira, representada por Mendonça; o segundo, por Moraes e Dino. Num eventual teste do bafômetro da República, o único sem vestígios de Macallan no hálito seria Mendonça (e não por ser evangélico).

Mendonça identificou algo grave: a Polícia Federal, sob comando de Andrei Rodrigues, produziu e fez circular documentos apócrifos de “inteligência” monitorando magistrados – o próprio Mendonça entre eles. Falando o português claro, trata-se da boa e velha arapongagem. Eis o retrato acabado de uma corporação policial que deixou de servir à apuração de crimes para servir à blindagem de quem nela manda e à perseguição de quem ousa discordar. Como confessou Flávio Dino enquanto ainda era ministro da Justiça, por seu intermédio, a Polícia Federal passou a servir a causa do Lula.

O que se passou nessa semana não foi uma “crise no STF”, mas o confronto, dentro da própria corte, entre a lei e o crime: a primeira, representada por Mendonça; o segundo, por Moraes e Dino

O que se passou nessa semana não foi uma “crise no STF”, mas o confronto, dentro da própria corte, entre a lei e o crime: a primeira, representada por Mendonça; o segundo, por Moraes e Dino

Diante da descoberta, Mendonça fez o que a lei manda: afastou o delegado e mandou apurar. Bastaram 24 horas para que Dino – o eterno chefe de Andrei – desfizesse a decisão sob o pretexto de “atropelos processuais” e recolocasse o jagunço no comando da corporação. Não houve, da parte do Camarada Rocambole, preocupação alguma com o conteúdo da denúncia: o fato gravíssimo de que a PF estava espionando ministros. Houve, isso sim, uma urgência quase física em devolver ao cargo o homem certo, no lugar certo, para que a máquina........

© Gazeta do Povo