Posse – festa na ilha da fantasia
A posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, escancarou, mais uma vez, os dois Brasis que já não se encontram. São dois mundos distintos, separados não apenas pela renda ou pelo acesso ao poder, mas por uma diferença muito mais profunda: a percepção da realidade.
De um lado, existe o Brasil oficial. O Brasil das autoridades cercadas de privilégios, dos palácios, das solenidades luxuosas, dos discursos vazios e da blindagem permanente. É o Brasil das elites burocráticas que perderam completamente o senso de limite. Um universo onde a liturgia do cargo foi substituída pela cultura da celebridade, do exibicionismo e da vaidade institucional.
Do outro lado, existe o Brasil real. O Brasil que acorda cedo, trabalha muito, paga impostos escorchantes, enfrenta filas, insegurança, inflação, transporte precário e serviços públicos deficientes. O Brasil que sustenta a máquina, mas não participa dela. O Brasil silencioso que vê, perplexo, o crescimento de uma casta política e jurídica cada vez mais distante da vida concreta das pessoas comuns.
A cerimônia no TSE simbolizou essa ruptura moral. Não se tratava apenas da posse de um magistrado. Tratava-se da celebração de um modelo de poder que se tornou impermeável ao sentimento nacional. Autoridades políticas, ministros, empresários, figuras influentes, todos reunidos numa atmosfera de glamour incompatível com a gravidade do momento brasileiro.
O Brasil que sustenta a máquina vê, perplexo, o crescimento de uma casta política e........
