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10 mil milhões de dólares por dia em risco ocultos no fundo do mar de Ormuz

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19.03.2026

À medida que as tensões geopolíticas no Médio Oriente se agravam, com o foco mediático colocado no conflito com o Irão e na crescente instabilidade no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, o mundo financeiro volta a olhar para o preço do barril de petróleo. Mas há um indicador tão ou mais crítico que está a ser largamente ignorado: a vulnerabilidade física das autoestradas de dados submarinos que sustentam a economia digital global.

Quando falamos de infraestruturas de telecomunicações como cabos submarinos, não estamos apenas a discutir “internet lenta”. Estamos a falar da espinha dorsal do capitalismo contemporâneo. Estima-se que todos os dias circulem por estas redes mais de 10 mil milhões de dólares em transações financeiras globais, incluindo operações iniciadas via SWIFT (transferência de dinheiro entre bancos) e liquidações interbancárias em tempo quase real.

Em plena era de guerra híbrida, o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho deixaram de ser apenas corredores marítimos para petróleo e contentores, tornaram-se verdadeiros “pontos de estrangulamento”, que concentram uma fatia significativa do tráfego de dados entre a Europa, a Ásia e o Golfo.

Nos mercados de capitais, a geografia tornou se o novo risco sistémico. A concentração de cabos em zonas de conflito significa que um ataque coordenado, aquilo que cada vez mais analistas classificam como tática de “zona cinzenta”, pode interromper fluxos de capital em milissegundos. Para o high frequency trading, onde fortunas se fazem e desfazem em frações de segundo, um aumento marginal da latência........

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