O bom, o mau e o vilão na nossa crise da habitação
Nas últimas semanas, um pouco por toda a Europa, temos assistido a manifestações, revoltas e reivindicações, acompanhadas de caos, violência e destruição. Não me admiraria se, numa próxima estreia de um qualquer filme de super-heróis, aproveitassem imagens daquilo que se tem passado por essas grandes cidades europeias, para retratar o mundo devastado antes da chegada dos protagonistas que resolvem tudo. Escusado será dizer que, seja qual for a causa pela qual se luta, esta acaba esquecida e desvalorizada, face aos comportamentos selvagens, retrógrados e nada condizentes com quem pede progresso.
Aqui, em Portugal, o filme é outro. Como país tradicionalmente tranquilo, também as nossas manifestações o são e, numa altura em que se reivindica pelo direito à habitação, a maior violência que por cá é praticada, é mesmo nos preços das casas. É, portanto, uma luta pertinente, lógica, e com a qual todos nos devemos solidarizar, seja a nossa ideologia mais à direita ou à esquerda – porque ninguém nos pede para abanar bandeiras na altura de comprar casa. Ainda assim, por muito que por aqui não vejamos montras partidas, carros de terceiros a arder e mercearias saqueadas, não deixa de haver um certo caos, perfeitamente desnecessário, que desvirtua a causa. E o nosso problema começa aqui: quando o barulho de uma praça cheia abafa o grito, a plenos........© Expresso
