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Distopia, S.A.: quer as suas notícias com ou sem alucinações?

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28.09.2026

Os obituários das agências noticiosas foram escritos muitas vezes nas últimas duas décadas.

Primeiro, disseram-nos que éramos mais lentos do que o Twitter e que a nossa rede global de jornalistas assalariados era dispensável, porque agora todos os cidadãos eram jornalistas.

Quem precisa de pagar por conteúdos produzidos com ética e verificados quando a informação flui diretamente da fonte para os nossos telemóveis, em tempo real?

Todos nos lembramos da euforia da Revolução do Twitter no Irão, em 2009, e da Primavera Árabe que se lhe seguiu, a do Facebook (2010-2012). Era inebriante ver a livre circulação de informação nas redes sociais, vinda de cidadãos na linha da frente.

Mas também todos nos lembramos da ressaca brutal. O que acontece quando os autocratas cortam a internet ou atiram os seus cidadãos para a prisão? Quem continua a documentar a história no Irão, no Egito ou na Síria para o mundo exterior?

Afinal, os algoritmos das redes sociais não eram movidos pela necessidade de procurar a verdade.

Silicon Valley percebeu que ganharia mais dinheiro a promover a raiva e a indignação. Percebeu-se também que agentes mal-intencionados podiam manipular esses algoritmos para promover mentiras. Sem surpresa, cidadãos sem formação não estavam preparados para ajudar a sociedade a orientar-se no meio da poluição do nosso ecossistema informativo.

Avancemos mais uma década e aqui estamos outra vez, perante mais um "assassino das agências noticiosas": o........

© Expresso