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Resiliência climática: a nossa próxima dependência estratégica

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12.10.2026

Cada época revela as suas grandes dependências. Desde a Covid-19, o princípio da divisão internacional dos processos produtivos nunca foi tão questionado. Ontem, era o petróleo que estruturava as relações de força da globalização. Depois, surgiram as dependências do gás russo, dos semicondutores asiáticos, dos medicamentos e de determinados princípios ativos. E, em cada caso, repetiu-se a mesma lógica: um produto até então considerado banal transformava-se subitamente num ativo estratégico no preciso momento em que eclodia uma crise.

Poderão, portanto, os sistemas de refrigeração e de climatização constituir a nossa próxima dependência crítica? A questão pode parecer surpreendente, mas tornou-se hoje incontornável.

O calor é tanto um choque económico como meteorológico, e a nossa dependência da climatização poderia, em larga medida, ter sido antecipada. Sabemos que as ondas de calor afetam as capacidades físicas dos trabalhadores e reduzem a produtividade, em particular nos setores da construção e das obras públicas. Perturbam os transportes, reduzem os rendimentos agrícolas, aumentam os acidentes de trabalho e podem, por vezes, desorganizar cadeias de valor e setores inteiros. Mas os efeitos não se ficam por aqui. O calor afeta igualmente a economia do conhecimento, atingindo escritórios, centros de decisão, administrações públicas, escolas, mas também centros de dados.

Diversos estudos demonstraram que, acima dos 26/28°C, a diminuição da capacidade de concentração, o aumento do custo dos erros e a consequente redução do desempenho se traduzem em perdas mensuráveis de produtividade. Segundo algumas estimativas, cada aumento de um grau Celsius acima de um determinado limiar de conforto térmico, pode provocar uma redução da produtividade da ordem dos 2% a 4% nas atividades de escritório. É neste........

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