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Estaremos a caminhar diretamente para uma nova crise financeira?

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09.07.2026

As crises financeiras quase nunca surgem de surpresa. Preparam-se ao longo do tempo, muitas vezes fora do campo de visão, antes de se revelarem quando o contexto monetário, financeiro ou geopolítico se altera e os efeitos em cadeia começam a observar-se. Nos últimos vinte anos, três sequências ajudam a compreender este mecanismo: a crise financeira mundial de 2007-2009, a crise das dívidas soberanas europeias de 2010-2012 e, depois, a vulnerabilidade macrofinanceira aberta em 2020.

A primeira sequência é a crise financeira de 2007-2009. No início dos anos 2000, depois do rebentamento da bolha da Internet, as taxas de juro eram baixas, a liquidez abundante e o apetite pelo risco elevado. O crédito imobiliário desenvolveu-se rapidamente, incluindo junto de mutuários frágeis com taxas variáveis. A finança estruturada, que deveria repartir o risco, acabou por o disseminar. A titularização não suprimiu a fragilidade; difundiu-a e amplificou-a. Quando as taxas de juro subiram e os incumprimentos aumentaram, o sistema bloqueou. Neste contexto, a falência da Lehman Brothers, em Setembro de 2008, não criou a crise: revelou a sua amplitude. A crise bancária tornou-se então uma crise de liquidez, antes de se transformar numa recessão mundial através do canal do crédito.

A segunda sequência é a crise da dívida soberana. Para evitar o colapso do sistema bancário e amortecer o choque económico, os Estados intervieram de forma maciça. Apoiaram a actividade, garantiram os depósitos, recapitalizaram os........

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