Cuidado, vêm aí os eurocratas
A Europa quer uma coisa difícil: mandar em si própria e, ao mesmo tempo, ter força suficiente para agir como uma potência. Quer defender-se da Rússia, negociar com a China, resistir a Washington, proteger as fronteiras, garantir energia e construir uma defesa credível. Depois Ursula von der Leyen fala num Conselho Europeu de Segurança e há quem descubra, de repente, que Bruxelas quer decidir. Queremos que a Europa fale com uma só voz, desde que cada capital continue a escolher as palavras.
No discurso sobre o Estado da União, von der Leyen propôs um protocolo de emergência inspirado no artigo 4.º da NATO, um Conselho Europeu de Segurança e uma relação de segurança mais estreita com o Canadá, envolvendo também Reino Unido, Noruega e Ucrânia. Algumas destas ideias não têm equivalente direto nos Tratados. E quando a realidade começa a pedir mais do que as regras existentes permitem, regressa a velha questão europeia: quem decide, em nome de quem e com que autoridade? A Europa quer agir como potência sem mexer demasiado na velha distribuição de poder entre Bruxelas e as capitais. Durante algum tempo, essa ambiguidade foi conveniente. Agora começa a ter um preço.
A Europa podia ter mercado, moeda, regras comuns e alguma política externa, enquanto a parte mais pesada da segurança continuava, em boa medida, do outro lado do Atlântico. Funcionou enquanto funcionou. A guerra na Ucrânia tornou a conta a pagar bem visível.........
