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A revolta da vida normal

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19.10.2026

Os jovens franceses estão a dar trabalho por quererem uma escola que funcione. Pedem portas nas casas de banho, professores e salas em condições. As imagens da violência acabaram por esconder essas exigências. Macron disse-se “envergonhado”. Quem pilha e intimida deve responder pelo que faz. Mas, quando a discussão fica pelos estragos, os estudantes continuam à espera de respostas. Os políticos parecem ter opiniões mais firmes sobre o comportamento de alguns adolescentes do que sobre o estado das escolas que lhes oferecem. Também aí haveria razões para algum embaraço. Repor a ordem é necessário, mas regressar às aulas não resolve o problema de uma casa de banho sem porta. Uma sociedade devia preocupar-se quando os seus jovens precisam de sair à rua para pedir a vida que os seus pais lhes recomendaram.

Estudar, trabalhar, sair de casa, encontrar alguém, talvez ter filhos. Durante décadas, foi este o conselho. Não assegurava uma vida confortável, mas permitia imaginar uma relação entre os sacrifícios e o que viria depois. Os pais sabiam que um curso não resolvia tudo. Ainda assim, podiam recomendá-lo sem juntar uma explicação sobre o património dos avós. Hoje, essa parte da conversa faz falta. Continuamos a educar os filhos para serem independentes e começamos a fazer contas para perceber durante quantos anos teremos de os ajudar. Nas famílias que podem, os pais pagam a independência que o trabalho dos filhos ainda não permite. Nas outras, o conselho mantém-se.

Uma casa de banho sem porta dispensa grandes interpretações. Falta uma porta. O aluno terá de voltar a usá-la amanhã, depois da reportagem e das declarações sobre a importância da educação. Ouvirá falar de dignidade nas aulas, sem saber quando poderá contar com alguma privacidade no intervalo. Não será a primeira contradição que encontra numa escola, mas é uma forma precoce de conhecer as instituições. Há sempre alguém que compreende a reclamação, embora encontrar quem resolva o problema costume demorar bastante mais. Quem insiste ainda espera alguma coisa daquela escola. Outras famílias, quando podem, transferem os filhos e........

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