Uma entrevista em cada esquina
Depois daquela fatídica pergunta – «Ainda és académico, certo?» (link) –, decidi testar os limites da minha sanidade e enfiar-me num daqueles grandes congressos internacionais. (Já agora, quero agradecer-lhe o sucesso desse artigo, que gerou uma onda comovente de solidariedade na comunidade académica e três insultos de dois primos meus mais velhos no Facebook).
Os simpósios/congressos/afins internacionais não são eventos científicos; são mini-AGNU (onde nunca participei, mas já comentei na TV) ou uma reunião de Grupo de Trabalho do Conselho da UE (onde já participei, mas nunca comentei na TV), mas com pior café e sem intérpretes oficiais (contrariamente a este evento académico de onde lhe escrevo agora).
Juntam-se centenas de pessoas de todas as nacionalidades nos lugares mais concorridos ou recônditos do planeta, unidos por um fito comum: ler o seu paper para uma plateia de autoleitores de papers e, no essencial, elogiamos os trabalhos sem os entender propriamente, tanto porque o tema é tão exótico que não é inteligível sem ser para os seus três investigadores – que, normalmente, não o sabem desmembrar para uma plateia de leigos – quanto porque, nós, os........
