Seguro e Aguiar-Branco, a mesma democracia
No 25 de Abril, durante o discurso de Aguiar-Branco, um deputado virou as costas ao Presidente da Assembleia da República. Não foi apenas um protocolo ferido. Foi o sintoma de um país fracturado pela forma como vê a transparência. António José Seguro pediu mais luz. Aguiar-Branco recusou o reality show. Há quem veja ali uma oposição. Eu vejo o contrário: a mesma democracia. Os dois discursos completam-se. Não se anulam. Reforçam-se.
A luz que serve
António José Seguro disse o essencial.
Não há liberdade verdadeira sem transparência no exercício de cargos públicos. Onde há opacidade, cresce a suspeita. E concretizou: os donativos políticos têm de ser públicos. Os cidadãos têm o direito de saber quem financia quem, com que dinheiro e com que interesses.
Tem razão.
A democracia paga-se com a luz que se faz incidir sobre o poder. Quem decide presta contas. Quem governa tem de ser visto. Quem financia tem de aparecer. Não é punitivismo. É democracia. Saber se um deputado vota leis em que tem interesse próprio é serviço público. Saber em que mãos vai parar o........
