RDP, outra vez a Lusa e João Gaspar: deixem os jornalistas em paz!
O relatório da UNESCO World Trends 2022-2025 apresenta dados preocupantes em vários domínios. Um conjunto, a meu ver bastante assustador, diz respeito à liberdade e segurança dos jornalistas. Aumentou o número de jornalistas assassinados, sobretudo em zonas de conflito. Aumentou o número de ameaças legais, físicas e digitais. Aumentou a autocensura de jornalistas, motivada por medo, em 63%. Aumentou o controlo estatal e político de órgãos de comunicação social. Na Europa, aumentou a pressão sobre jornalistas por ações legais nacionais e por receio de agentes externos. Nos Estados Unidos, deteriorou-se a liberdade de imprensa de forma acelerada desde o início do mandato de Trump. Entre as principais razões para o declínio, este e outros relatórios indicam a intimidação, o papel desempenhado por ferramentas tecnológicas de supervisão e a precaridade laboral dos profissionais do jornalismo associada a interesses corporativos dos proprietários de grupos de comunicação.
Relaciona-se com este conjunto de dados a constatação de que há um declínio acentuado da qualidade das democracias. De acordo com o relatório V-dem, assistimos a uma redução das democracias liberais e aumento das autocracias, com vários regimes que ainda identificamos como regimes democráticos em processos de autocratização (ou, pelo menos, a normalizarem características típicas de regimes autocráticos). O ataque a jornalistas é um sintoma desse esboroar dos princípios e dos valores democráticos. Vemo-lo por todo o lado.
Os donos das redes sociais querem, desde o início, apresentar-se como os verdadeiros detentores da informação, aproveitando a anarquia, a desregulação e a possibilidade de colocar os profissionais do jornalismo em pé de igualdade com todos nós, que podemos produzir conteúdos sem formação profissional e sobretudo sem estarmos vinculados a princípios éticos e a códigos deontológicos. Quando vemos o interesse dos inimigos da democracia na........
