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O que fazer quando governos e empresas explodem diques?

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16.02.2026

Não há nada inesperado no que está a acontecer. Nada. Pedrógão de novo devastado, oito anos depois do fogo, por cheias. Vieira de Leiria debaixo de água. Os diques rebentam um após o outro: Coimbra, Montemor-o-Velho, Soure. O território onde vivemos está num processo de desertificação, mesmo que a catástrofe da água nos leve para a aflição no imediato. De solos quase sem matéria orgânica ou humidade até lamas saturadas cobertas por metros e metros de água foi preciso menos de um mês. E que se desengane quem ache que quando pararem as chuvas o governo vai acorrer a ajudar a arranjar tudo o que está destruído. Só quem não assistiu ao abandono após os incêndios de 2017 e anos seguintes pode manter essa ilusão. A política é de guerra contra as populações e abandono do território.

Seria risível o anúncio do governo de que dará 500 euros a cada pessoa afectada se não fosse destinado a ser um insulto a todas as pessoas. Um insulto similar àquele de um primeiro-ministro que atribui cheias a barragens espanholas no Mondego ou no Sado. Como não esperar insultos daqueles que há décadas que sabiam que isto ia acontecer, e que vai acontecer muito pior do que isto se........

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