Seis paisagens emergentes no Médio Oriente
Decorridos 125 dias desde o início da guerra no Irão, o conflito redefiniu o equilíbrio geoestratégico no Médio Oriente. Mas o memorando assinado funciona como um mero MacGuffin, um elemento narrativo que serve para fazer avançar a história, criando a ilusão de que aí reside o centro da ação, quando as verdadeiras transformações decorrem noutro plano.
1. A ordem e o balanço de poder
Durante décadas, a ordem no Médio Oriente foi desenhada por potências externas, ao contrário da autodeterminação wilsoniana aplicada à Europa Central e de Leste. Agora, cada vez mais, a Arábia Saudita, os Emirados e o Qatar afirmam-se como centros de decisão autónomos e assumem maior responsabilidade regional, como demonstra o R4, iniciativa de coordenação política que junta Turquia, Arábia Saudita, Paquistão e Egito.
Todavia, a tese de uma retirada dos americanos do Golfo é ingénua, pois ignora uma relação que vai além do plano militar. Quando Donald Trump desfilou pela região, ficou claro que se trata de poder organizado. Ao lado do tradicional lobby israelita, o investimento árabe constrói agora a sua própria arquitetura de influência em Washington.
Reflexo disso, os Emirados foram designados como major defense partner norte-americano, enquanto os laços comerciais e os investimentos sauditas e cataris na Inteligência Artificial se aprofundam. Esta dinâmica sugere um Quincy II. Ao contrário do pacto de 1945 (Quincy I) entre Roosevelt e o rei saudita Al Saud, que trocava proteção militar por petróleo, este novo entendimento, embora menos explícito, é........
