Habitação: um problema de decência política
Na passada semana, o antigo ministro da Educação, João Costa, fez publicar um texto em que afirmava: “É há demasiado tempo evidente que a crise de habitação explodiria na Europa.” e, ainda, “Estamos, pela primeira vez, na generalidade dos países, perante uma geração que estudou mais do que os seus pais e vai viver pior.”
Eu gosto de João Costa. É amigo, genuíno, sincero. Mas, neste tempo que vivemos, a prudência deveria impor-se a alguém que esteve no governo quase uma década sem que se tenha ouvido uma discordância pública, sem que tivesse batido com a porta.
O Partido Socialista e António Costa governaram Lisboa entre 2007 e 2021. Só no final desse período, já com Fernando Medina, é que a capital regressou em força à construção de habitação para logo perder o rumo com o inefável Moedas. Helena Roseta, que foi vereadora municipal e sua filha, que ocupou também a mesma pasta, estão agora no mercado do comentário falando sobre o tema, mas o seu desempenho foi uma desgraça e deveria levar a recato.
O Partido Socialista e António Costa governaram o país de 2015 a 2024. Primeiro com o apoio dos partidos à sua esquerda; na legislatura intermédia com apoio intermitente; nos últimos dois anos, com uma maioria absoluta.
Neste tempo, houve que repor rendimentos depois dos danos criados pela Troika; houve que fazer face à pandemia; houve que atacar a crise inflacionista provocada pela guerra na Ucrânia. Mas um governo previdente deveria ter avaliado os problemas e atacá-los com........
