O Meco não é uma floresta. É um argumento
Há uns meses escrevi que a transição energética devia ser inteligente, justa e com memória. Que trocar árvores por vidro não era uma vitória. Que o problema não era a energia limpa, era o sítio onde a pomos. Parece que o problema não é só o sítio dos painéis. É o sítio de tudo.
Na Herdade do Cabeço da Flauta, no Meco, em Sesimbra, mais de duas mil toneladas de pinheiros-mansos foram abatidas desde outubro do ano passado. Alguns deles centenários. O terreno era o antigo recinto do Super Bock Super Rock, aquele festival onde se acampava à sombra de uma floresta. A floresta ficou. O festival acabou em 2023. E depois, em silêncio, começou o abate.
Só soubemos a 2 de março, quando as imagens de drone do movimento Meco Livre circularam nas redes sociais. As fotografias mostravam o que as palavras dificilmente descrevem: terra remexida por maquinaria pesada, rama espalhada, troncos serrados, uma paisagem rapada onde antes havia sombra. Dois mil e tal anos de crescimento varridos em meses.
O proprietário não quis prestar esclarecimentos. Não é obrigado, dizem. É terreno privado.
Claro que é. Mas a propriedade privada nunca foi, em lado nenhum de um Estado de direito, um........
