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O desaparecimento do Boteco e a decadência social

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10.03.2026

Se a história fosse um gráfico, provavelmente veríamos um certo declínio — ou ao menos algumas curvas negativas em momentos específicos. Sem querer ser muito funcionalista, suspeito que isso tenha relação com o esvaziamento de certas instituições sociais.

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Uma delas é o boteco.

Instituição de primeira importância, curiosamente ignorada nos livros de ciência política. Estes preferem estudar apenas instituições pornográficas: câmaras, senados, ministérios e afins — ambientes propícios ao exercício do poder, esse estranho fetiche dos impotentes. O boteco autêntico, por sua vez, permanece como o verdadeiro outsider da vida social: um termômetro espontâneo do sentimento coletivo.

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Ao longo do tempo, esse espaço mudou de forma, decoração e até de cardápio, mas preservou algo essencial: a conversa franca entre conhecidos e desconhecidos, o debate casual, a reclamação que aos poucos se transforma em ideia. Entre copos e petiscos surgem opiniões, alianças improvisadas e pequenas faíscas de pensamento coletivo que muitas vezes refletem — ou até antecipam — o humor das ruas.

Em Minas Gerais, essa vocação histórica do boteco ganha ainda mais peso simbólico. Não é difícil imaginar que, ao redor de mesas muito parecidas com as de hoje, os inconfidentes tenham trocado confidências, planos e indignações contra a Coroa. Muito antes de se tornarem personagens de livros de história, revoluções e movimentos políticos nasceram em conversas informais, alimentadas por vinho, cachaça e inconformismo.

Nesse sentido, o boteco funciona como uma pequena arena democrática: um lugar onde ideias circulam livremente e onde, de vez em quando, a história começa a tomar forma.

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