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A escola de seu filho(a) valoriza a poesia?

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29.06.2026

Os burocratas da educação estão sempre preocupadíssimos com as metodologias. Como se a repetição de uma fórmula milagrosa fosse capaz de produzir emoção, abrir sentidos ou despertar algum sopro de humanidade em professores e alunos dentro de uma sala de aula. Qualquer método é estéril sem desejo. E desejo não dá para transmitir em videoaula.

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Repetir é justamente a coisa que nossos estudantes mais fazem – ainda mais depois da IA. Acostumaram-se ao condicionamento das redes sociais, reproduzem refrãos de 10 segundos sem parar, colecionam clichês e memes sem constrangimento. Desde Skinner e seus ratos encaixotados sabemos que o condicionamento operante molda comportamentos entre reforços positivos, compensações e punições. Mas parece que esquecemos convenientemente a segunda parte da lição: a de que ratos não fazem poesia.

O homem conectado e o colapso da autonomia

A partir daí criamos a nossa sala de aula futurista, com direito a entorpecentes digitais devidamente regulamentados pela sacrossanta “Tecnologia Educacional”: aplicativos, tablets, celulares e outras distrações pedagógicas que mantêm crianças e adolescentes entretidos, dóceis e quietinhos em um ambiente supostamente seguro, enquanto pais e responsáveis tentam ganhar a vida e construir suas respectivas carreiras.

Vitória de Skinner: um bicho satisfeito e entretido não quer confusão, não pensa demais, não incomoda. A proposta é dopar uma geração de estudantes que, em breve, replicará essa mesma lógica para sua descendência. Vitória da indústria tecnológica do entretenimento. Derrota silenciosa do humano que insiste em sentir desconforto........

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