O som e o ruído
Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2002, descreve o ruído, em “Ruído: Uma Falha no Julgamento Humano”, como a variação indesejada em julgamentos que deveriam ser iguais. E faz logo uma distinção entre viés e ruído: o Viés (bias) é um erro sistemático, quando um grupo tende a superestimar algo, e Ruído (noise) é um erro aleatório onde cada pessoa julga de um jeito diferente, sem padrão.
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Nate Silver, em “O Sinal e o Ruído”, aborda a questão a partir de uma outra perspectiva: temos muitos dados, mas pouca capacidade de separar o que realmente importa (o sinal) do que é só confusão, acaso e distorção (o ruído). Se o Sinal é informação relevante, que ajuda a prever e entender a realidade, o Ruído são dados dados enganosos, aleatórios ou irrelevantes, que atrapalham o julgamento.
Ao mesmo tempo, em “Os Engenheiros do Caos”, Giuliano da Empoli investiga como estratégias de manipulação emocional e algorítmica estão sendo usadas para radicalizar opiniões, mobilizar massas pelas redes sociais e destruir consensos democráticos. A ideia-chave é que não se governa mais pelo consenso racional, mas pelo conflito emocional, através da exacerbação das diferenças (aquilo que nos divide) e da instilação de ressentimento entre os “grupos de afinidade”.
É a versão moderna da principal diretriz do império romano, “dividir para conquistar” (divide et impera em latim), e tem sido a pedra angular de impérios e ditadores para dominar povos conquistados e sua população, estimulando rivalidades locais.
Além da arena política, nenhum outro campo do conhecimento humano, no Brasil, está tão dominado e atado a ideias ruins, predominância de ruído e viés ideológico do que o planejamento urbano. No Brasil, é possível que Belo Horizonte seja o exemplo mais impactante e acabado dessa prevalência (idéias ruins, predominância de ruído e viés........
