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Cartão de crédito não é reserva de emergência, mas todo mundo acha que é.

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10.07.2026

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Essa semana eu tive um atendimento de consultoria que me marcou. Não vou contar quem é, nem os valores exatos, porque sigilo com cliente é sagrado pra mim, mas o padrão que apareceu naquela conversa é tão comum que resolvi trazer pra cá, porque tenho certeza que muita gente vai se ver nele.

A pessoa começou a reunião falando de um assunto e, dez minutos depois, a gente já estava reconstruindo o mês inteiro dela no papel: pet shop, assinatura de streaming, seguro do carro, uma mensalidade de academia, um curso da filha... tudo, TUDO no cartão. Não porque ela quisesse. Porque, na hora em que cada uma dessas contas venceu, não tinha dinheiro na conta corrente. E o cartão estava ali, disponível, resolvendo o problema na hora.

O problema é que ele não resolve nada. Ele só troca a data.

O cartão não paga a conta, ele te empresta, mas no mês que vem a conta chega

Isso parece óbvio escrito assim, mas na prática ninguém sente dessa forma no momento em que passa o cartão. A sensação é de alívio: "ufa, resolvido". Só que resolvido é a palavra errada. O que aconteceu foi que a despesa saiu da sua frente e foi parar lá na fatura do mês que vem, só que na fatura do mês que vem já vão ter outras coisas também. E aí a fatura fica maior. E se não der pra pagar ela inteira, uma parte rola pro mês seguinte, com juros (altos).

É basicamente isso que forma o que eu chamo de bola de neve: cada mês que passa, ao invés de você ter uma "sobra" para respirar, você tem uma fatura mais gorda esperando por você. E o pior é que, como o gasto nunca aparece "de uma vez", a pessoa não enxerga o tamanho do problema até ele já estar fora de controle. Ninguém decide, num dia só, se endividar com uma fatura de 5 mil reais. A decisão é sempre pequena: "ah, coloca no cartão que resolve agora e eu penso depois".

No caso que eu acompanhei, quando a gente somou tudo o que estava no cartão, as coisas fixas mensais mais os parcelamentos em aberto, o valor surpreendeu a própria pessoa. Ela não fazia ideia de como tinha chegado àquele número, ou até mesmo o que estava dentro daquela fatura que ultrapassava o valor do seu salário.

Dá para viver o mês no cartão de crédito? 

O que mais me marcou nesse atendimento foi que, em nenhum momento, eu senti que estava falando com alguém irresponsável. Pelo contrário. Ela pagava tudo em dia. Se preocupava em não deixar nada atrasar. Anotava, se cobrava, se organizava do jeito que dava. 

O problema não era o descuido. Era que a conta corrente dela nunca tinha folga nenhuma. Vivia literalmente esperando o próximo salário chegar pra sobreviver........

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