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Opinião | O Supremo e seu valor de face

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19.02.2026

O assunto deste artigo é o Supremo Tribunal Federal (STF), não há mais como deixar de ser. Todas as páginas de todos os jornais acabaram convocadas a tratar da pauta – dolorosa e fatal. Também eu falarei disso, mas peço licença para começar por uma longínqua lembrança de infância (o improvável leitor logo entenderá a razão).

O ano é 1966. Aos sete anos de idade, fiquei hospedado por uma ou duas semanas na casa do tio Denny e da tia Edna, em frente à igreja matriz de Orlândia. A razão daquela temporada era fácil de explicar. Minha mãe, no final da sua quarta gravidez, tinha se mudado para a casa de minha avó materna, em Ribeirão Preto, onde havia um bom hospital. A cidade de Orlândia, a umas duas horas de carro da portentosa Ribeirão, ainda não dispunha de nenhum leito hospitalar; a prudência recomendava que minha mãe fixasse residência temporária num município onde pudesse contar com mais recursos médicos. Assim, eu e meus dois irmãos nos vimos distribuídos por endereços de tios e padrinhos. Minha irmã, Fabiana, nasceria em maio daquele ano.

A memória que guardo daquele tempo é feliz. Houve apenas um pequeno trauma. Foi na casa do tio Denny que ouvi a notícia que abalaria para sempre os fundamentos do mundo que eu conhecia. Um dia, minha prima........

© Estadão