Opinião | Porto de Galinhas e os limites da omissão
Já não é a primeira vez que escrevo sobre um caso nacional de grande repercussão a partir da perspectiva de uma filosofia do limite. Enquanto desenvolvo essa teoria em meus trabalhos acadêmicos, os casos concretos me ajudam a aplicá-la, a vê-la acontecendo ao vivo e a cores, para o bem e para o mal. Afinal, a filosofia do limite é um realismo, não um idealismo. Espero deixar isso claro a partir do caso dos turistas de Mato Grosso em Porto de Galinhas, espancados por barraqueiros que trabalham na praia como garçons. O caso recebeu grande repercussão na mídia e nas redes e parece ter marcado um limite a partir do qual não podemos mais prosseguir, em todos os sentidos.
Não vou mais a Porto de Galinhas. A última vez que estive lá foi de passagem para um distrito vizinho, cujo nome não direi para protegê-lo do que aconteceu com “Porto” (como os pernambucanos chamam essa belíssima praia feita de piscinas naturais, formadas por mãos de mil inacabáveis lixas escondidas na água e na brisa). Estive lá em 2011. Levei comigo um amigo alemão e saí de lá envergonhado pelo tratamento recebido dos barraqueiros: preço abusivo por mesas e cadeiras, condicionalidade de preços baseada nas coisas mais arbitrárias, rudeza. 2011! Há pelo menos 15 anos práticas comerciais ilegais são toleradas na praia pernambucana.
Até que ocorre um caso-limite: turistas mato-grossenses são espancados em Porto. Vídeos mostram a covardia dos agressores e a humilhação dos........
