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A dor e o nada no Orçamento para 2027

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04.09.2026

Não li suficientes entrevistas de verão a Joaquim Miranda Sarmento para ficar a saber se aprecia Jean-Paul Sartre, Albert Camus ou William Faulkner. Mas seria interessante perguntar ao ministro das Finanças se também ele encontra estranhas semelhanças entre a conta anual do Estado e um exercício existencialista. A política orçamental não é apenas técnica: é uma escolha moral, filosófica e, em última instância, identitária. É, antes de mais, um momento em que obrigamos o país a confrontar-se com aquilo que é, com aquilo que deseja ser e com aquilo que, realisticamente, pode ser.

Um dos princípios da lógica existencialista é o de que a liberdade implica responsabilidade, e cada decisão tem um custo. E é exatamente assim que funciona (ou deveria funcionar) um Orçamento do Estado.

Entre a dor e o nada, Faulkner escolhia a dor. Num Orçamento construído num contexto com elevados níveis de incerteza na política nacional e no mundo, a dor é a disciplina orçamental, a contenção. E o nada seria a irresponsabilidade de prometer o que não se pode cumprir, ignorar riscos que já estão à vista, fingir que o país tem margem quando........

© Dinheiro Vivo