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A Fronteira da Injustiça: Porque é que o Gás e a Gasolina param em Elvas?

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27.03.2026

A Fronteira da Injustiça: Porque é que o Gás e a Gasolina param em Elvas?

Portugal parece sofrer de um vício de governação crónico, adoramos “europeizar” o discurso para justificar sacrifícios, mas hesitamos em “espanholizar” as soluções que realmente protegem o cidadão. 

Neste março de 2026, com o conflito no Irão a incendiar os mercados e o bloqueio do Estreito de Ormuz a empurrar o barril de petróleo para valores proibitivos, a pergunta que ecoa de Viana do Castelo a Vila Real de Santo António é inevitável, como é que o governo português permite que uma garrafa de gás custe o dobro do que custa a dez minutos de distância, em Espanha?

O Gás, um Luxo Liberalizado em Tempos de Guerra

Enquanto em Espanha o governo de Madrid reagiu à crise internacional com pulso firme, regulando o preço máximo da garrafa de 12,5kg (que se mantém fixado em torno dos 15,50€), o governo português prefere o conforto da “liberalização do mercado”. O resultado é uma aberração geográfica e social, o mesmo produto é vendido em Portugal por valores que já rondam os 40€.

Dizer que “o mercado funciona” num contexto de economia de guerra e instabilidade no Irão é um insulto a quem trabalha. Rejeitar a fixação de preços enquanto as famílias escolhem entre aquecer a casa ou encher a despensa não é prudência financeira, é descolagem da realidade social perante uma emergência global.

Combustíveis, o Estado como Beneficiário do Conflito

Nos combustíveis, o cenário é igualmente penoso. Com a instabilidade geopolítica a fazer disparar as cotações, o governo gaba-se de mecanismos complexos de devolução de impostos, mas a verdade é nua e crua, Portugal continua a ter uma das cargas fiscais mais pesadas da Europa. 

Enquanto Espanha cortou o IVA da energia e combustíveis para 10% como resposta direta à crise, Portugal mantém-se agarrado aos 23% e a um ISP insaciável.

É inadmissível que, antes de impostos, a nossa gasolina seja das mais baratas da Europa, mas que o consumidor final pague o preço da “fome fiscal” do Estado. O Governo não pode continuar a ser o maior beneficiário da crise energética, engordando a receita à custa de cada litro atestado por quem precisa de se deslocar para trabalhar.

Conclusão, um “Copy-Paste” Seletivo

É profundamente irónico que Portugal copie quase todas as diretivas que vêm de Madrid em matéria de leis laborais, mas feche os olhos quando o tema é o alívio direto no custo de vida. 

O governo parece sofrer de uma cegueira seletiva, vê as obrigações europeias para taxar, mas ignora o exemplo vizinho para proteger o povo.

A guerra no Irão é um fator externo, mas a nossa incapacidade de proteger os portugueses como os espanhóis protegem os seus é uma escolha política interna. Até quando o superávit das contas públicas será mais importante do que a sobrevivência das contas domésticas? É tempo de agir com a coragem que o momento exige.* Secretário Coordenador do Partido Socialista na TAP


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