Importamos máscaras, esquecemos raízes
Há uma pergunta que me acompanha nesta altura do ano: como conseguimos mobilizar tanta criatividade para celebrar o Halloween e tão pouca para transmitir as tradições que recebemos?
Multiplicam-se as abóboras, as teias de aranha, os chapéus de bruxa e as máscaras de terror. Nas escolas, preparam-se atividades e desfiles. E, quando a mesma animação chega aos centros paroquiais e à catequese, a pergunta torna-se ainda mais incómoda: sabemos o que estamos a celebrar? Sabemos, também, o que estamos a deixar de ensinar?
Não vejo qualquer problema em conhecer costumes de outros povos. Uma cultura cresce também no encontro. Mas esse encontro exige memória e espírito crítico. Quando acolhemos com entusiasmo tudo o que vem de fora e deixamos morrer, por desinteresse, aquilo que nos pertence, estamos a empobrecer a nossa capacidade de escolher.
O Halloween que hoje nos chega, sobretudo através da indústria comercial e do entretenimento anglo-americano, apresenta-se frequentemente como um carnaval fora de época. Muda o calendário, acrescenta-se uma estética de susto e........
