menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O calvário de ontem e de hoje…

39 0
04.04.2026

Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? Mac 15,34)

A pergunta de Jesus na Cruz, expressando um dramático momento de solidão, provoca o silêncio de Deus (abandonado por Deus): Jesus expressa o silêncio de amor que nos interroga.

O ímpio Nietzsche (1844-1900), arauto “do Super-Homem” (Ubermensch), interpretando este grito disse que o transe doloroso de Cristo, exprime o seu desespero no patíbulo do calvário, como que assumindo a dor de toda a humanidade e expressão de todos os sofredores sem resposta, em todos os tempos, tão forte e emotiva, quanto correspondida apenas pelo silêncio. Há um silêncio de amor, em que as palavras desaparecem para provocar uma eloquência traduzida apenas em gesto e sinais que falam mais alto.

Este silêncio de Deus, em transes e nos estertores de agonia,levam-nos a pensar na incapacidade ou ausência de Deus em momentos difíceis. Não há resposta capaz, e tudo se limita a silêncio eloquente, em que o humano se revolta e se salienta o divino: voz sem voz, sem eco. Este silêncio –como diz........

© Diário do Minho