A segunda urgência: reaprender a trabalhar
No último artigo defendi a urgência de reaprendermos a ensinar. Argumentava, então, que os modelos educativos que herdámos foram concebidos para uma realidade económica, social e tecnológica que já não existe. Se essa reflexão é válida para a educação, é igualmente válida para o trabalho. Talvez estejamos a entrar num período em que a grande questão não seja apenas como ensinamos, mas como trabalhamos. Durante décadas, preparámos pessoas para profissões relativamente estáveis, inseridas em organizações estruturadas, onde a experiência acumulada garantia progressão e segurança. O conhecimento adquirido numa fase inicial da vida era, em muitos casos, suficiente para sustentar uma carreira de várias décadas. Hoje, essa lógica está a ser profundamente questionada. A robotização, a inteligência artificial e os novos modelos de trabalho autónomo estão a transformar a forma como o valor é criado. Tarefas repetitivas, previsíveis e baseadas em procedimentos estão a ser........
