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Um país à beira-mar desencantado

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21.02.2026

A metáfora de “país à beira-mar plantado” foi-se sedimentando no imaginário cultural português como abreviatura poética da nossa autoimagem coletiva, a de um território exíguo e periférico, debruçado sobre o Atlântico, “onde a terra se acaba e o mar começa”. A essa imagem juntou-se o retrato moral de um povo trabalhador, acolhedor e orgulhoso das suas raízes, sem resvalar para uma intolerância que julgávamos confinada a outras geografias. O Estado Novo viria a completar essa narrativa com a sinistra fórmula do “orgulhosamente sós”, glorificando o isolamento como virtude e a desconfiança como princípio. Desde há séculos, país de emigração e de partida, gostamos também de nos ver como povo capaz de se integrar em qualquer latitude e de conviver pacificamente com o outro.

O país real nunca coincide com a nação dos contos de fadas, mas por cá essa distância é cada vez maior. Nas últimas legislativas, o Chega afirmou-se como a terceira força política, com 1.437.887 votos, ou seja, 22,76% do total,........

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