In memoriam Habermas (1929-2026): cidadãos ou meros espectadores?
Recordo o episódio como se fosse hoje. Foi em maio de 1999. Era então assistente de Sociologia da Comunicação e integrava a equipa de docentes encarregada de vigiar uma prova com mais de 1 200 estudantes no maior anfiteatro da Universidade Paris 2. No final, cada um levou consigo duas centenas de exames para corrigir. A caminho de casa, uma colega foi alvo de uma tentativa de assalto, mas agarrou-se com tal determinação à mala que obrigou o meliante a desistir e a desaparecer nos corredores do metro. Passei uma semana imerso nas respostas dos alunos do primeiro ano da Faculdade de Direito que me calharam em sorte. No decurso desse labor, deparei-me com a seguinte reflexão sobre o espaço público contemporâneo: “Habermas deve estar a dar voltas no seu túmulo”. À margem da folha, com a ironia que me restava, não resisti a deixar um comentário: “Não o enterre já; ainda tem muito a dizer por cá, entre os vivos.”
Faz hoje uma semana que faleceu Jürgen Habermas. Membro da Escola de Frankfurt, o filósofo e sociólogo alemão foi um dos........
