Em defesa do imarcescível
Há palavras que deveriam ser ensinadas nas escolas não pela frequência com que aparecem nos dicionários, mas pela falta que fazem à nossa maneira de viver. Imarcescível é uma delas. Designa aquilo que não murcha, não perde o viço nem se deixa corromper pelo tempo. Numa sociedade em que tudo deve ser novo, atualizado e rapidamente substituído, a palavra soa quase subversiva.
Vivemos sob o regime da obsolescência. Os objetos envelhecem antes de aprendermos a usá-los; as notícias perdem valor em poucas horas; as opiniões sucedem-se à velocidade de um gesto sobre o ecrã. Também os vínculos são avaliados pela excitação que provocam, não pela verdade que sustentam. Confundimos novidade com valor e permanência com imobilidade.
Esta crítica, porém, exige cautela. Nem tudo o que dura merece ser preservado. Há preconceitos seculares, injustiças tenazes e erros que atravessam gerações. A longevidade de uma convicção não demonstra a sua verdade; por vezes,........
