Por Entre Linhas e Ideias
Será a maldade uma força que também move o ser humano? Esta semana trago um tema que, estou certo, inquieta muitos leitores e que raramente deixa alguém indiferente. Falo da violência, da maldade e da estranha facilidade com que o ser humano, apesar de toda a sua inteligência, parece inclinar-se tantas vezes para o lado mais irracional de si mesmo.
Como é habitual neste espaço, recorro mais uma vez à mitologia para esclarecer uma questão premente do nosso tempo e para nos ajudar a compreender esta inquietação antiga. Conta a lenda que, ao abrir uma caixa proibida, Pandora libertou para o mundo todos os males que ainda hoje nos acompanham, o ódio, a inveja, a agressão e a destruição. Desde a Antiguidade, esta narrativa simbólica nos lembra uma verdade desconfortável, a de que o mal parece estar sempre à espreita, pronto a aparecer quando menos esperamos. Mas será a maldade apenas um acaso da existência ou fará parte da própria condição humana?
Estas perguntas incómodas acompanham a filosofia desde as suas origens. Já Aristóteles se interrogava sobre a natureza moral do ser humano e sobre a tensão permanente entre a razão e os impulsos mais agressivos que também temos. Mais tarde, no início da modernidade, Hobbes defenderia que, sem........
