Entre o futebol e a paz
Portugal acaba de entrar no Mundial e, como sempre acontece nestas ocasiões, o país parece ganhar uma segunda respiração. Há uma alegria antiga que regressa: a conversa no café, a bandeira à janela, a camisola vestida antes da hora, a esperança de que desta vez possa ser diferente. Mesmo quem diz que já não liga muito ao futebol acaba por perguntar a que horas joga a Seleção. Durante noventa minutos, somos menos dispersos, menos zangados, talvez até menos cínicos.
Mas este Mundial começa num tempo em que o mundo não cabe dentro de um estádio. Enquanto Portugal, depois da estreia com a República Democrática do Congo, olha para os jogos com o Uzbequistão e a Colômbia, outra partida, sem relvado e sem aplausos, joga-se no tabuleiro da geopolítica. O acordo preliminar entre os Estados Unidos e o Irão, anunciado com a promessa de travar uma escalada militar e reabrir o Estreito de Ormuz, lembra-nos que há resultados muito mais decisivos do que os que aparecem no marcador.
A bola tem esse poder curioso: une, distrai, consola. Num país que tantas vezes se sente pequeno, o futebol oferece uma escala........
