Para que serve a competição?
A competição (desportiva) é uma condição exclusiva do ser humano, no reino animal há “apenas” sobrevivência. A competição surge como uma transcendência das competências (corporais, psicológicas), da inculcação de valores, é uma meio nobre para o desenvolvimento humano e civilizacional. Ou seja, o valor da competição não está no “bónus”, mas no processo.
A competição, quando orientada por valores pedagógicos claros, promove várias competências fundamentais, como a resiliência, a cooperação, a autonomia, a responsabilidade, a organização pessoal, o respeito pelas regras, para além da criação de resultados evidentes na saúde e na motivação perante os desafios que se colocam. Contudo, é fundamental distinguir competição saudável e em competição “a todo o custo”. Quando a vitória se torna o único objetivo e o valor da pessoa/atleta é medido apenas pelo resultado, a competição perde o seu caráter educativo. O papel de qualquer professor, treinador, pais e instituições é garantir que competir significa aprender, melhorar e dar o melhor de si e não simplesmente ganhar. A forma como os pais reagem aos erros ou às derrotas é particularmente importante. O Desporto é um espaço natural de tentativa e erro, e perder faz parte do processo de crescimento. Quando os pais mantêm uma postura positiva e encorajadora, e não atribuam a fatores externos, ajudam os filhos a desenvolver a resiliência e a capacidade de lidar com a frustração. O ser humano desde que nasce, vive uma série de desafios, pelo que nascemos predestinados a sentir o sabor do fracasso, por isso devemos aprender a insistir, de viver intensamente e… tentar de novo.
As crianças e jovens devem usufruir de uma filosofia, e medida essencial, que é garantir que TODOS têm acesso a praticar desporto nas suas comunidades locais, num ambiente de inclusão, de alegria e desenvolvimento de longo prazo, em vez da competição seletiva e precoce. Quando nós analisamos os dados estatísticos, percebemos que Portugal tem um défice enorme de oferta desportiva, e isso também se reflete na cultura subjacente à forma como se encara a competição. Em muitos países desenvolvidos, a maioria das crianças e jovens experimentam multidesportos até fixar a carreira desportiva num só Desporto. O que se vê tipicamente no nosso País é precisamente o contrário… é a prática desportiva de uma modalidade, a partir de tenra idade, em quase tudo igual aos seniores, e em que os pais fomentam a “campeonite” e, muitas vezes, até assumem o papel de “segundo treinador”...
Na verdade, a lição que se extrai das duas “remontadas” (do SC Braga e Sporting CP), é que as equipas portuguesas demostraram a essência do Desporto: Grande desafio, máximo empenho e determinação para o ultrapassar. É isto, a competição serve essencialmente como ferramenta para a educação, desenvolvimento pessoal e para a superação. Preparar crianças e jovens para o futuro implica ensiná-las a colaborar, mas também a enfrentar desafios, superar dificuldades, a saber lidar com vitórias e também com derrotas.
