Ó Bétis, ó Bétis, Istambul à vista
O futebol encontra-se numa pausa estratégica para dar espaço às seleções nacionais, que preparam o próximo Campeonato do Mundo ou ainda disputavam o apuramento tardio para a fase final da competição.
Portugal rumou a terras americanas sem Diogo Costa, Rúben Dias, Bernardo Silva, Rafael Leão ou Cristiano Ronaldo na sua comitiva, fruto de “lesões” que costumam apoquentar alguns atletas nestes períodos em que se realizam jogos particulares, de reduzido interesse competitivo, tanto na ótica de alguns jogadores como dos respetivos clubes.
O contexto destas ausências possibilitou a ressurreição de alguns nomes perdidos no tempo e desaparecidos das convocatórias nos últimos largos meses — para quem espera uma chamada, tempo a mais, certamente. Ainda assim, importa sublinhar que o leque de escolhas é vastíssimo e que uma lista de convocados nunca será consensual, apesar de, aos olhos do público, persistir a ideia de que os nomes são (quase) sempre os mesmos, estejam ou não a justificar a presença.
Um dos regressos à esfera da seleção — espaço onde, confessadamente, se sente muito feliz — foi o de Ricardo Horta, cuja ausência anterior mereceu múltiplas referências do selecionador, reforçando a perceção de um afastamento injusto. O capitão bracarense está a realizar uma época estrondosa e continua a ser, para quem ainda tivesse dúvidas, o farol maior que ilumina o caminho da sua equipa nos momentos mais exigentes. Esta chamada do nome maior da longa história do SC Braga representa o reconhecimento de um trabalho de excelência e não deve ser encarada como um prémio — esse surge, demasiadas vezes, para quem menos o merece. Ricardo Horta merece-o plenamente e deve ser seriamente considerado no momento da elaboração da lista final de Roberto Martínez, ainda que não tenha participado na fase de apuramento.
A seleção nacional apresentou-se como ilustre convidada para a (re)inauguração do “novo” Estádio Azteca, no distante México. O recinto localiza-se na Cidade do México, no país homónimo — uma espécie de México ao quadrado — onde Portugal jogou na madrugada de domingo, a horas pouco próprias para os portugueses, mas ajustadas aos anfitriões. O nulo final pouco importou, ainda que o facto de uma seleção europeia não vencer naquele palco há cerca de 45 anos fosse um dado adicional de curiosidade para o duelo. A Nação Valente voltou depois a defrontar os Estados Unidos, procurando ambientar-se às condições que encontrará no próximo Mundial, num encontro em que Ricardo Horta fez tudo bem quando esteve em campo e que terminou com um triunfo luso de significado reduzido nesta fase.
Entretanto, o SC Braga prepara a eliminatória da Liga Europa frente ao Bétis de Sevilha, procurando superar mais um obstáculo e dar novo passo numa época europeia longa e exigente. No pensamento de muitos ecoa a música de Paco Bandeira — “Ó Elvas, ó Elvas, Badajoz à vista” — com o desejo de a transformar em “Ó Bétis, ó Bétis, Istambul à vista” após o desfecho da eliminatória. As dificuldades serão grandes, e só a competência aliada a uma entrega sem limites permitirá ultrapassá-las. Em breve se verá se o desfecho dará razão ao título escolhido ou se, pelo contrário, o sonho termina ali. Não se trata de pressão adicional, mas de um alerta para a oportunidade que desponta no horizonte.
Sejam felizes, Guerreiros. Boa Páscoa a todos.
