Conselho de Ministros em Bragança e a Nova Universidade
Conselho de Ministros em Bragança e a Nova Universidade
Na próxima quarta-feira, os holofotes políticos do país viram-se para Bragança. A realização da reunião do Conselho de Ministros na Universidade Politécnica de Bragança traz àquela região mais do que o tradicional simbolismo político da descentralização; traz a promessa de um marco histórico. Espera-se a formalização da transformação da Universidade Politécnica na nova Universidade de Bragança e do Norte Interior, cumprindo o compromisso assumido por Luís Montenegro na sessão de encerramento da Universidade de Verão do PSD.
Este passo representa o justo e merecido reflexo do mérito acumulado por uma instituição que se tornou o maior motor socioeconómico da região. Contudo, há que admirar a vertiginosa velocidade desta transição, que entra diretamente para o livro dos recordes da esquizofrenia burocrática nacional. Em escassas semanas, a academia local conseguiu a proeza de mudar de identidade duas vezes sem que os serviços tivessem tempo de encomendar novos carimbos. Começou o mês com o pomposo título de Universidade Politécnica, cortesia da nova lei que elevou os politécnicos a este estatuto. Mas, antes mesmo que os funcionários se habituassem à nova e extensa designação, o figurino já ficou apertado.
Esta aceleração legislativa é fascinante: num território habituado a ver promessas públicas envelhecerem indevidamente em gavetas, a burocracia académica move-se à velocidade da luz. Mas se o Executivo central supõe que outorgar o estatuto de universidade clássica resolve por si só o isolamento territorial, desengane-se. Sem um plano económico agressivo e acoplado, a nova designação corre o risco de ser apenas uma eficaz operação cosmética de marketing político. Para além disso, a pomposa escolha do nome "Universidade de Bragança e Norte Interior" parece desenhada para baralhar a identidade local e colidir diretamente com a UTAD de Vila Real. Se a geografia e a alma da instituição pertencem ao Nordeste Transmontano, por que indicar um jargão técnico que canibaliza o mapa e cria uma desnecessária guerra de quintais com os vizinhos do Alto Douro? A demografia não se fixa com novas tabuletas e o interior já tem uma coleção considerável de promessas com moldura.
O brilho da ciência e o vazio das salas de aula
A robustez dos números valida a nova escala institucional. Com uma comunidade consolidada em torno dos dez mil estudantes e um corpo docente próximo dos 410 professores em regime de tempo integral — garantindo um rácio saudável de 24 alunos por docente —, a academia apresenta um triunfo de proximidade pedagógica que envergonha a sobrelotação caótica e impessoal do litoral. Na investigação, a lição de competência é ainda mais severa. Dos seus cinco centros científicos, dois detêm a classificação máxima de "Excelente" atribuída pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia: o Centro de Investigação de Montanha e o Centro de Investigação em Digitalização e Robótica Inteligente. A isto........
