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Portugal atrai centros de dados enquanto alguns países se revoltam contra eles

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Num ambiente político dividido nos Estados Unidos, parece que as pessoas encontraram um ponto em comum: estão unidas contra os centros de dados. Paradoxalmente, num país que deu origem à revolução das Tecnologias da Informação (TI), o movimento reflete não só preocupações ambientais, mas também o descontentamento com o aumento das faturas de energia.

Os centros de dados ocupam enormes áreas de terreno, geram poluição, são considerados desagradáveis e ruidosos e fazem lembrar cenários sombrios de filmes de ficção científica. Consomem quantidades gigantescas de energia e água.

No entanto, alojam chips e servidores que treinam modelos de IA e processam dados, permitindo serviços online que vão desde a banca às compras, passando pelos dados de saúde e pelas simples mensagens eletrónicas.

Neste continente, a União Europeia lançou um concurso de 30 mil milhões de euros para construir centros de dados de IA, com financiamento público previsto, com o objetivo de triplicar a capacidade existente de centros de dados da Europa nos próximos dois anos. A Europa já acolhe mais de 3000 centros de dados, sendo o segundo maior polo regional do mundo, atrás dos Estados Unidos.

Portugal tem uma participação de destaque, com um dos maiores projetos europeus de centros de dados a ser desenvolvido no Alentejo. Já existem cerca de 40 centros de dados de menor dimensão no país.

O Sines Data Centre Campus, apoiado por uma empresa de investimento norte-americana e operado pela Start Campus, ficará concluído até 2030 e será composto por seis edifícios, com uma capacidade total de TI de até 1,2 gigawatts. O investimento total na construção e nas infraestruturas está estimado em, pelo menos, 8,5 mil milhões de euros quando estiver concluído. O primeiro edifício está operacional desde 2024.

A Microsoft é o utilizador final dos chips Nvidia instalados no primeiro edifício e irá também utilizá-los no segundo edifício quando este estiver concluído.

"A escala anunciada para Sines é ... extraordinária ... O funcionamento pleno do campus poderá, por isso, corresponder a aproximadamente 22% de todo o consumo de eletricidade........

© Diário de Notícias