O cerco russo e a resposta da Europa
As recentes eleições para a Duma foram bem encenadas. Confirmaram o controlo interno exercido pelo regime, a decisão de continuar a guerra ilegal contra a Ucrânia e a política estrutural de Vladimir Putin contra a Europa, que evoluiu gradualmente de provocações pontuais para uma estratégia de pressão persistente e calculada.
Moscovo opera em várias frentes complementares: sabotagens, ciberataques, perturbações de sinais eletrónicos, instrumentalização de migrantes, propaganda, intimidação militar e apoio a forças políticas extremistas e pró-russas. O propósito não é destruir de imediato as capacidades ocidentais - não por falta de vontade, mas por cálculo estratégico. Na realidade, trata-se de testar e expor as fragilidades políticas da Europa democrática, com ações cirurgicamente abaixo do limiar do Artigo 5.º da NATO. A autoria destas ações é sistematicamente negada, explorando a lentidão inerente às democracias na obtenção de provas e na tomada de decisões. Putin é um perito na transformação da dúvida política num instrumento de equívocos e na promoção de fraturas entre países aliados.
Esta pressão materializa-se em frentes coordenadas que muitos teimam em tratar como incidentes isolados. A partir de Kaliningrado e de outros pontos não identificados, as perturbações da navegação por satélite são já recorrentes, afetando a aviação e a navegação marítima numa vasta faixa entre a Polónia e a Escandinávia. No plano da sabotagem, aos danos em cabos submarinos de........
