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A desordem internacional: niilismo ou otimismo?

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16.01.2026

"Deus está morto”, proclamou o filósofo Friedrich Nietzsche nos finais do século XIX. A frase queria no fundamental dizer que a religião, mormente a cristã, havia deixado de ser a fonte de referência dos valores tradicionais e que uma nova era exigia um quadro moral diferente. Tratava-se de chamar a atenção para a necessidade de ultrapassar a fase de desorientação que sempre acontece quando há uma mudança de paradigma e de um apelo à reflexão sobre o futuro.

Hoje, se fosse vivo, Nietzsche faria talvez a sua personagem dizer que “a ordem internacional morreu”. Uma afirmação assim significaria que a arquitetura legal e institucional global, que entrara em estado de coma em fevereiro de 2022, tinha acabado por se extinguir neste princípio de ano, após os acontecimentos e as proclamações recentes que abalaram a cena internacional.

Seguindo essa linha de pensamento, poderia dizer-se que vivemos atualmente um período de niilismo político e moral. Ou seja, as normas fundamentais no relacionamento entre Estados, como entre outras a inviolável soberania de todos, a proibição do uso da força na resolução dos diferendos, ou a não-intervenção nos assuntos internos de outros, vêm sendo abertamente desrespeitadas por potências........

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