Habitação: garantir que Lisboa continua a ser uma cidade para viver
Quando assumi o pelouro da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa, em novembro de 2025, tinha consciência de não existirem respostas simples para um dos maiores desafios que atualmente enfrentam as cidades europeias. Um ano depois, essa convicção é ainda mais forte. A habitação é muito mais do que uma questão de acesso a uma casa. É uma questão sobre o futuro das cidades.
Uma cidade pode ter mais emprego, mais investimento, mais visitantes e mais dinamismo económico. Mas se não existirem condições para que os jovens permaneçam, para que as famílias se estabeleçam, perde-se gradualmente uma parte essencial daquilo que a define.
É neste contexto que devemos olhar para a crise habitacional.
Trata-se de uma realidade com causas profundas e uma configuração nova. Resulta da conjugação de múltiplos fatores, entre os quais se podem destacar a escassez de construção, o aumento dos custos dos materiais e da mão-de-obra, a transformação dos modelos familiares, o aumento da longevidade e uma crescente mobilidade internacional de estudantes, trabalhadores e reformados.
Lisboa tornou-se de novo uma cidade em crescimento. Segundo as estimativas do Instituto Nacional de Estatística, sistematizadas pela PORDATA, a população residente no município aumentou 20% na última década. Esta é, essencialmente, uma boa notícia. Significa que Lisboa se mantém uma cidade atrativa, dinâmica e capaz de gerar oportunidades.
Mas significa também uma maior pressão sobre uma oferta de habitação que demora anos a aumentar. Uma casa não se constrói de um dia para o outro. Exige planeamento, financiamento, licenciamento, construção, infraestruturas e capacidade de gestão. O crescimento da procura revelou-se mais rápido do que a capacidade dos instrumentos existentes para lhe responder.
O problema da habitação deixou há muito de ser um problema circunscrito aos grupos mais vulneráveis. Continua a afetar agregados com carências socioeconómicas profundas, mas atinge cada vez mais famílias de rendimentos intermédios, com emprego e rendimento estáveis, que não conseguem encontrar uma habitação compatível........
