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Cultura patrocinada por uma bebida qualquer

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10.07.2026

Estava calor, sem surpresas. Não havia sombras evidentes, nem pontos de água abundantes, e a água dos lavabos não era potável (era o que estava escrito nos avisos). No meio daquele deserto polvilhado com concertos de grandes músicos, emergiam da areia umas casinhas pré-fabricadas com letreiros luminosos. Aí, desde que pagassem, as pessoas podiam refrescar-se com uma pletora de bebidas, calóricas ou não, mas certamente menos hidratantes do que simples água. Uma das casinhas, construída em madeira, evocava um saloon típico dos westerns, que, aos meus olhos, só poderia ser distópico, não só por não estarmos no século XIX a cavalgar nas estepes americanas, mas porque, felizmente, ainda temos leis que nos impedem de transportar armas. Na fachada daquela construção efémera, conseguia ler as palavras “casino” e “BacanaPlay”. Depois, por isto, concluí que afinal estávamos mesmo numa distopia.

Foi assim que senti o Rock in Rio, ainda que as mensagens dos artistas do festival fossem, na sua maioria, profundas e equilibradas, com brio, e compensassem esta sensação de invasão publicitária. Ea música era boa.

Eu percebo que tudo........

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