Palestina: quando o silêncio do Ocidente pesa tanto como as bombas
À laia de disclaimer, escrevo deliberadamente este texto antes de entrar em período de férias.
A verdade é que vivemos formatados pela realidade que nos dão a conhecer (como se fosse a única), agora ocupados entre o monte de Luís Neves e o atrelado que, alegadamente, autorizou que fosse levado pelo amigo empreiteiro, e os incêndios na Europa, em especial na vizinha Espanha e em França. Contudo, há mais mundo para além do que nos dão a conhecer, repetidamente, telejornal atrás de telejornal.
Por exemplo, há muito que a Palestina deixou de ser notícia. Não porque a guerra tenha terminado, não porque os bombardeamentos tenham cessado, não porque a população tenha recuperado a segurança ou a dignidade. Deixou de ser notícia porque o mundo se habituou ao sofrimento dos palestinianos. E quando uma tragédia se torna rotina, deixa de gerar audiências, cliques e manchetes. O horror continua, mas já não vende.
Este talvez seja um dos maiores falhanços das democracias contemporâneas. Vivemos convencidos de que aquilo que ocupa os noticiários é o mais importante. No entanto, a realidade demonstra precisamente o contrário. A actualidade é governada pela novidade, não pela gravidade. Uma crise humanitária pode continuar a agravar-se durante meses ou anos sem merecer o destaque que teve no início. O silêncio mediático acaba, assim, por funcionar como uma cortina que esconde uma realidade que permanece inalterada.
A Palestina é um exemplo doloroso desta lógica. Depois de meses de imagens devastadoras vindas de Gaza, o conflito desapareceu progressivamente da agenda mediática internacional. As televisões passaram a abrir com outros temas, as redes........
