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A venda da TAP e a perda de soberania portuguesa

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20.10.2026

Um país pode perder o controlo do seu futuro sem que se dispare um tiro. Vende-se um activo aqui, outro ali, e quando damos por isso as decisões que contam já são tomadas noutro lado. Portugal continua com bandeira, instituições e independência política, mas vai passando para mãos privadas e estrangeiras, entre outros, instrumentos de que depende a sua autonomia económica.

A TAP é mais um passo nesse caminho. Escrevo com a decisão já tomada: o Governo escolheu a Lufthansa, faltando formalizar o negócio e obter as autorizações necessárias. É, quanto a mim, neste exacto intervalo que o assunto tem de ser discutido, enquanto ainda há algo para decidir. Falar só do preço, ou das promessas de crescimento do grupo alemão, é ficar à porta.

A questão  essencial é por que haveria Portugal de abrir mão do controlo de uma empresa estratégica depois de lhe ter dado milhares de milhões de euros de dinheiro público.

Mais do que aviões, uma companhia de bandeira não é um negócio como os outros. A TAP é o que liga os Açores e a Madeira ao território continental, bem como ao Brasil, aos Estados Unidos e a África. Uma parte do que vale não aparece na conta de resultados. Serve turistas, claro, mas também exportadores, negócios, estudantes, profissionais e famílias separadas pela emigração. Ao longo de décadas construiu uma rede, uma marca e um saber operacional que não nasceram de capital privado e que não existem para dar a um grande grupo mais um mercado onde crescer.

Por exemplo, uma rota pode dar prejuízo vista isoladamente e ser essencial para o resto da economia, porque traz turistas, escoa exportações, mantém ligadas as comunidades no estrangeiro. Uma empresa privada não é obrigada a mantê-la para sempre. O Estado tem o dever de saber quais são essenciais e de ter meios para as proteger.

Um accionista privado quer rentabilidade e crescimento, e está no seu direito. Mas isso quer........

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