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Delgado Alves, Avenida e Trump: sintomas de uma democracia bloqueada

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29.04.2026

Esta semana a "teoria da ferradura" da ideologia política — a tese que defende que os extremos, longe de serem opostos, se tocam e assemelham em métodos e retórica — deu dois sinais claros de que, na realidade, já se transformou num círculo perfeito ou que, na verdade, sempre o foi. Seja em Portugal ou no estrangeiro. Comecemos por cá.

Que a revisão da lei laboral iria ser chumbada pelos sindicatos é algo apenas surpreendente para os mais ingénuos. Mas que o líder do Chega colocasse a redução da idade da reforma como condição para a discussão da mesma com o Governo foi, isso sim, um coelho da cartola que nem o cínico mais prevenido esperaria. Ventura assumiu, de vez, um discurso que poderia ter sido proferido por um líder do PCP — atualmente Paulo Raimundo, mas o rosto é indiferente. Não é a primeira vez, diga-se, mas agora só mesmo os seus mais acérrimos defensores podem fingir não o ver. Parafraseando outro grande mestre das contas públicas: e onde é que se vai buscar dinheiro para isto? “Ora, gasta-se tanto dinheiro mal gasto?!” (Mário Soares, no contexto das eleições de 1985).

Ventura, claro, jura que paga todas as promessas com o “combate à corrupção”. É o seu equivalente ao “os ricos que paguem a crise” dos comunistas. Para qualquer pessoa de bom senso — nem é preciso ser economista — uma ‘tese’ é tão........

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