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Extravagância Fígaro

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21.08.2026

Será que uma encenação extravagante é suficiente para capturar a essência de A Jornada Delirante de Beaumarchais? Esse é o desafio audacioso que esta produção assume.

A imagem é simples, mas encapsula perfeitamente a impressão deixada por estas Bodas de Fígaro: na noite de 14 de agosto, o claustro do Mosteiro da Cartuxa, em Caxias, é varrido por um vento violento que castiga vários elementos do cenário durante os dois primeiros atos, obrigando os cantores a agarrarem-se a um biombo ou a pegarem um manequim de costureira enquanto, acima deles, suspenso por um cabo, um abajur de papel gira ao sabor das rajadas como um pompom de carrossel. Sim, é de facto um vento de loucura que sopra pela ópera de Mozart, ilustrando da maneira mais literal o subtítulo da comédia de Beaumarchais.

E parece que essa também é a abordagem adotada pela encenadora Mónica Garnel e pela sua assistente Anna Leppänen para narrar as desventuras do famoso casal de criados e seus igualmente famosos patrões. Longe de perucas empoadas, camisas com folhos e palácios do século XVIII, a iconografia utilizada neste casamento em Lisboa busca constantemente a incongruência burlesca, inspirando-se nos universos das........

© Diário de Notícias