Edgar Morin. Intermitências do coração
Edgar foi um milagre para a humanidade.
Estava nos cuidados paliativos do Hospital Americano de Paris, nunca acreditei na sua morte. Ainda não acredito. Tinha acabado de lançar um livro Lições da História.
Em Abril quando estive no Parlamento Europeu, telefonei à Sabah que me pediu para que guardasse a bela memória física que tinha do marido. Todos falávamos de um milagre, conhecíamos-lhe a têmpera. Noutras vezes tinha enganado a morte.
Edgar tinha todos os direitos, excepto o de se transformar em pura energia, precisávamos dele fisicamente.
Este filósofo de esquerda, fisicamente corajoso, com uma enorme gentileza converteu-me a um pensamento de bem, transformou-se para mim num querido pai espiritual. O único sábio que conheci.
O último dos pensadores universais, como referiu o presidente Macron.
Escolheu a primavera para partir, a mesma estação do ano em que luminosamente o conheci. A 29 de maio encerrou-se uma história que se iniciou a 8 de julho de 1921 em Paris.
Era muito familiar, alguém que na sua enorme seriedade me acolhia no conselho, no olhar, e........
