O mito reformista em questão
O reaparecimento de Pedro Passos Coelho e a sua defesa de entendimentos à direita para garantir estabilidade política e viabilizar reformas profundas, reativaram um antigo argumento de que Portugal precisa de reformar o Estado para crescer. A premissa parece simples, mas é precisamente nessa simplicidade que começa o equívoco.
O problema não está na necessidade de reformas, está na forma como a palavra é utilizada, pois reformar tornou-se um suposto selo de legitimidade política que dispensa muitas vezes a discussão essencial sobre para quê e para quem reformar.
A história recente mostra que as reformas podem seguir caminhos muito diferentes. Existe uma via que procura modernizar o Estado, tornando-o mais eficiente sem abdicar do seu papel social. Nesse caminho, a digitalização e a reorganização administrativa podem eliminar redundâncias, simplificar processos e melhorar a relação entre cidadãos, empresas e serviços públicos. Um Estado mais ágil, transparente, interoperável e tecnologicamente competente pode aumentar a produtividade do país e libertar........
